• Blog Perspectiva Nova
    Atitude

    Saber dizer adeus é também sobre se dar uma segunda chance de ser feliz

    ainda que isso signifique não estarmos juntos...

  • Blog Perspectiva Nova - AMIZADE APRENDIZADO IDAS E VINDAS IRMANDADE
    Idas & vindas

    Sempre bom poder contar contigo, amiga!

    Sei que às vezes é um saco me aturar. Por mais simpática que pareço ser, sabemos bem a ogrinha na qual realmente sou com piques de humor exacerbantes.

  • Amizade

    Porque ela é dessas

    Ela tem uns parafusos a menos, faz do tipo “a do contra”, não se importa se vão pensar bem ou mal da sua pessoa. Aliás, se ela se importa contigo ou não, tu saberás.

  • Blog Perspectiva Nova - simplicidade
    Positividade

    Me amarro mesmo é em gente simples

    São essas pessoas que quero sempre ter por perto! Ninguém merece pessoas frias, falsas e que mantêm contato contigo apenas por interesse.

  • Perspectiva Nova -  poema de primavera
    Positividade

    Que floresça

    Ainda que verão de sol quente

    Após cada inverno

    No meio do outono inexoravelmente

    Até no averno

  • Perspectiva Nova - Cara, tens noção da mulher que deixaste partir?
    CONSELHOS DE MESA DE BAR

    Cara, tens noção da mulher que deixaste partir?

    Desejo-te o melhor do mundo, ainda que isto já tenha lhe escapado das mãos.

Mais insuportável que ela é ficar sem ela!


Não rolou simpatia à primeira vista, muito pelo contrário! De mundos completamente distintos sequer imaginávamos um dia dividir essa jornada juntas. Mas a vida é feita de surpresas e por mais que às vezes algumas coisas pareçam ser desprovidas de sentido ou que surgiram do nada, nada é por acaso. Nossos bilhetes de viagem tinham o mesmo destino, embarcaríamos nessa juntas.

Acostumada a impor barreiras aos que se aproximavam muito da minha essência, afastei muitas pessoas. É um mecanismo involuntário que desenvolvi como autodefesa por conta de algumas feridas que se encontravam em aberto após ter tido a confiança traída. Mas com o passar das estações a antipatia foi esvaecendo enquanto o sentimento de irmandade crescia sutilmente. Logo, aquele rosto outrora estranho ganhava traços de afinidade.

Por mais relutantes que estivéssemos, uma força soberana colocava uma ao lado da outra. Assim, nos dias mais frios ela se tornou meu aconchego, durante as tempestades foi meu abrigo e nos verões água fresca. Se antes não conseguíamos nos encarar, hoje basta um olhar para saber exatamente o que se passa com a outra. Se antes não conseguíamos trocar meias palavras, hoje não falta assunto para ser comentado até altas horas da madrugada.

Ela é minha melhor amiga, melhor conselheira, melhor confidente, melhores momentos, melhores histórias para se recordar e viver. 

De mansinho ela foi cativando minha lealdade. Fez dias horríveis parecerem cômicos, me deu o ombro para chorar (mesmo por garotos que ela achava que não valiam a pena), me deu luz para superar o luto, fez dos feriados passados em casa parecerem viagens inesquecíveis. Mesmo sem minhas máscaras ela aceitou quem eu realmente era, me incentivou quando ninguém o fez, gritou de felicidade pelas minhas conquistas (ainda que míseras), ..., ouviu atentamente minhas ladainhas até quando eu estava de TPM.

Não pense que desde então tudo tem sido flores entre a gente como uma eterna primavera. Desentendimentos não faltaram! Assim como tenho meus defeitos, ela também tem os dela. Eu com meu ego inflável, ela com seu orgulho de pedra. Sim, nossas brigas soam como se a terceira guerra mundial estivesse acontecendo. Mas é como te disse: mais insuportável que ela, é ficar sem ela! Falta algo, falta cumplicidade, falta alguém pra reclamar do meu chulé, compartilhar aquela fofoca, falta chão... Afinal, ela estivera comigo nas melhores e piores circunstâncias. Não adianta, tem coisas que só ela resolve. Daí eu passo um pouquinho de vergonha na cara, engulo as cismas e vou atrás dela...

...E, mesmo passando um tempo afastada, ela me aceita de volta qualquer tenha sido o motivo. Talvez esse seja o segredo da nossa amizade: liberdade. Ela entende que sou desmiolada assim mesmo e que às vezes não tenho jeito, por isso atura meus melodramas. Eu entendo que ela é mais objetiva, é mais razão que emoção. Sei que sua praticidade não significa ausência de sentimentos. Conhecemos-nos bem e pode até rolar um sermão, mas ela me dá o espaço de que preciso. Ela é meu cais no qual sempre retorno. E, mesmo afastadas por distância ou desentendimento, é nela que penso como porto seguro quando fico na pior. Ela está comigo até quando não está presente.

Ela me inspira com sua integridade, ambição e determinação. Paciência é uma virtude que ela tem de sobra e me falta em larga escala. Mas quem a vê em sua pose de barbiezinha toda séria nem imagina a palhaça desengonçada que é realmente. Ela é daquelas que num restaurante chique deixa a talher voar para outra mesa – literalmente.

É pra ela que mando aquele print comprometedor para rirmos juntas. É ela que sabe dos meus segredos, dos meus esquemas, das minhas senhas. É ela que sabe dar pitaco sobre como responder algumas mensagens. É ela que sabe dos meus vacilos e por mais que não aprove algumas atitudes, ela continua ali por perto pra que quando as coisas forem de mal a pior ela possa me erguer – e jogar na cara que me avisou sobre como aquilo terminaria, dizer que se houver próxima vez nem adianta ir choramingar no ouvido dela. Mas pode haver milhões de próxima vez que ela ainda continua ali.

É ela que ri dos meus defeitos sem me fazer sentir ridícula, aliás, é ela que me faz perceber quando estou sendo ridícula. É ela que diz rasgado quando exagero nas cenas de ciúme, que me chama dos apelidos mais carinhosos (ou nem tanto), que me adotou em sua família, me mostrou a grandeza de uma amizade verdadeira. Me mostrou que amizade não tem a ver com a quantidade de tempo e sim com parceria, honestidade e amor. Até porque o que vivemos em tão curto espaço de tempo daria um bom filme.

De mansinho ela foi cativando minha lealdade. Fez dias horríveis parecerem cômicos, me deu o ombro para chorar (mesmo por garotos que ela achava que não valiam a pena)...

Ela é minha melhor amiga!

Ter uma melhor amiga vai além de ter o dobro de vestidos, sapatos e maquiagens (porque ela me deixa a vontade fuçando seu guarda-roupa). É ter o dobro de encrenca e felicidade: os problemas dela são meus assim como as alegrias dela são minhas. Sim, isso significa que se ela tem ranço da fulaninha, eu também tenho. Significa que mesmo detestando balada sertaneja eu topo ir só pelo prazer da companhia dela. Porque ela escuta as minhas músicas preferidas mesmo não gostando, ela escuta minhas longas mensagens de áudio falando baboseira, ela me agüenta bêbada e durante a ressaca joga na cara que passou vexame comigo...

É ela que me defende das conversar fiadas, que não pensa duas vezes antes de ficar do meu lado – mesmo eu estando errada (e ela deixa isso claro). Só ela tem a manha de colocar o dedo na ferida e depois fazer o curativo. Por mais que ela me admire, ela tem muita personalidade e se discorda de mim ela vai dizer na lata. Talvez seja por isso que me sinto bem compartilhando com ela meus sonhos, principalmente aqueles que parecem mais insanos, pois sei que suas palavras serão verdadeiras e não tenho receio dos seus julgamentos, estes sim são pensando no meu bem.

Uma melhor amiga vai além de ter uma irmã e uma mãe a mais (sim, a mãe dela já cuida de mim como se fosse dela também). Uma melhor amiga é ter frustrações a menos, pois o peso do mundo parece menor quando se divide com alguém. É ter alguém que consiga naturalmente fazer de momentos aleatórios os mais divertidos. É ter alguém que transforma aquele final de semana entediante numa balada top – se é que você me entende!

Ela é minha melhor amiga, melhor conselheira, melhor confidente, melhores momentos, melhores histórias para se recordar e viver. Do nada, hoje ela é meu tudo e já vivemos de tudo! As estações continuam passando, mas meu carinho por ela não.

A vida deve continuar


Você sabe, nunca fui boa em refletir nos dizeres aquilo que sinto dentro de mim. Sou um tanto desajeitada e intensa, atropelo as pontuações e por vezes meu sujeito não conjuga os verbos no tempo da ação.

Aquele dia, porém, por trás daquela camada de alegria havia uma insegurança retida no seu olhar. Gelei. Meu ego estava tão acondicionado a ser sempre o ferido que busca conforto em seu colo. Ver-te vulnerável me desestabilizou por completo. A sua luta não podia ser enfrentada por ninguém mais a não ser você mesma.

Entretanto, fui para o campo de batalha enfrentar o inimigo assim como você fez tantas outras vezes por mim sem sequer cogitar o contrário.  E pela primeira vez eu saí da minha cápsula de protegida para tentar fazer algo por ti. 

Não sabia exatamente o que poderia fazer ou por onde começar, só queria de alguma forma que soubesse que foi contigo que aprendi conceitos que dicionários jamais poderiam ilustrar e que eu faria o impossível para retribuir toda devoção e carinho que teve comigo, embora o que eu fizesse jamais se compararia a grandeza das suas atitudes.

Segurei suas mãos entre as minhas, olhei seus olhos baixos e com convicção disse que te amava. Sem delongas ou outros adjetivos que pudessem florir a fala mesmo que o sentimento mais puro e lindo estivesse ali no peito. Disse assim, cruamente. Você assentiu humildemente tendo plena certeza que minha mensagem extravasava os limites silábicos. E eu entendi que por mais fraca que você estivesse jamais deixaria de me proteger.

Ah, minha querida se eu soubesse que aquele nosso abraço seria o último, não teria te deixado nunca... Congelaria o tempo nos nossos momentos mais felizes. E são diversos que sequer dou conta de discernir o superlativo. Ainda na doença ou tristeza, jamais deu vez para o pior se instalar. Com maestria e um sorriso no rosto você conduziu a situação. Aqui consigo te destacar como meu maior exemplo de superação. Por mais que eu tentasse seguir seus passos, era nítido que eu nunca poderia ser como você. Tão forte, corajosa, brava e, simultaneamente, o sinônimo de amor, doçura e carinho.

Eu procuro forças nos ensinamentos que me deste. Tento encarar o futuro de cabeça erguida, mas só de imaginar que você não está nele um medo me assola. É como naquelas noites de trovoadas em que eu me refugiava em sua cama. Só que você não está lá mais pra me aquecer. É como aquele nervosismo no estômago antes de subir ao palco e procurar seu olhar na platéia para me tranquilizar. Só que ao redor não vejo semblantes como os seus. Ou aquela paz de após um dia horrível chegar em casa e ter aquela sensação de que ao seu lado, nada pode me abalar. Mas você não está em casa.

Eu percorro os cômodos, toco em seus objetos, sinto seu cheiro... mas não sinto a sua presença. Nada além dessa sensação de abandono e vazio, de que há um abismo gigantesco que me impossibilita de te encontrar. É horrível sentir outras mãos me segurando e não sentir mais o seu toque. É difícil dormir sabendo que nunca mais vou acordar com você chamando meu nome. Péssimo ainda é acordar e ter que lidar com o fato de que isso tudo não é apenas um pesadelo.

É irônico porque você dizia que agora eu já sou crescida. Mas sinto que ainda sou aquela criança que durante suas viagens te ligava a todo o momento perguntando se já estava prestes a voltar mesmo sabendo que a resposta seria negativa. Sinto aquele desespero me tirando o ar e sequer posso usar o consolo de que dentro de mais alguns dias te verei novamente. Dessa vez foi uma viagem sem volta e nos despedimos com um “até breve”.

Reviro minhas memórias buscando um momento de fúria que tivemos para tentar amenizar essa dor. Mas até nossos desentendimentos se transformavam em piadas posteriormente. Sua expressão debochada remedando meu mau humor e sua risada contagiante sobressaem qualquer pensamento ruim que eu tente imaginar sobre você.

Meu coração fica minúsculo quando começo a desdenhar desfechos diferentes deste. E por mais que eu saiba que fiz tudo que minha capacidade permitiu, ainda, sim, uma sombra de dúvida paira em meus raciocínios. Se eu tivesse a chance de me desculpar contigo por não ter te obedecido, pelas vezes que menti, por não ter demonstrado mais todo esse amor e admiração que sinto...

O que não cabe em mim é a saudade. Ela é imensa e meu corpo já não a sustenta mais. Os momentos que tivemos foram ímpares. Se eu pudesse reviver cada lembrança, não alteraria nada. Deixaria intacto e conservaria em âmbar. Sempre, para todo e eterno sempre, vou ser grata por ter me amado incondicionalmente, por ter acreditado em mim quando nem eu o fiz, por ter sentido orgulho das coisas que fiz e da pessoa que me tornei. E mesmo sabendo que nunca serei nem um terço do que foste me sinto honrada quando evidenciam nossas semelhanças.

Diversas vezes você me preparou para sua partida, entretanto é inevitável não sentir essa inconformidade, essa angústia ao ver outras pessoas se apoderando do que era tão seu, de ter que ouvir semânticas que sei que jamais disseste, mas insistem em atribuir a você.

A vida deve continuar. De alguma forma. Estou tentando me fazer forte como você para reinventar a minha rotina sem o seu aconchego, seu carinho e seus conselhos. Estou tentando deixar essa dor ir embora para que quando eu pensar em você nenhuma lágrima de tristeza caia, para que eu sinta somente aquela sensação de que sou feliz e abençoada por ter te conhecido.

Não ouso me despedir, assim como você não fez da última vez que nos encontramos. Despedidas não fazem nosso tipo, principalmente quando existe essa conexão que há entre a gente. Vou te amar para sempre!

Mais um verão (um verão a menos)

blog perspectiva nova - mais um verão

Invejo aqueles que possuem a artimanha de aproveitar o tempo que lhes cabe.

De viver o agora sem carregar as marcas do passado e sem pensar no amanhã.

Para compreender que a vida é um ciclo que individualmente é linear com ponto de partida e chegada.

Almejo um dia ser coroada com a maturidade não só em números.

Ainda sinto que sou uma criança que ao menor sinal de perigo corre desesperadamente ao amparo da mamãe e da vovó.

Sinto que ainda há em mim uma esperança, embora pequenina, de que fadas e bruxas existam e que extraterrestres nos visitam enquanto dormimos profundamente.

Peter Pantite.

Ou Síndrome de Peter Pan.

Talvez seja isso.

É irônico.

Quando criança, queremos ser gente grande.

Quando gente grande, queremos ser criança.

Anacronismo crônico

blog Perspectiva Nova


Quisera os anos que passaram terem magnitude ou possuírem a manha de danificar o mecanismo que mantém seu retrato intacto na minha estante.
Tampouco deletar suas lembranças tatuadas sobre as minhas feridas não cicatrizadas.

Poderíamos continuar uma década sem nos vermos.
Talvez séculos.
De nada importaria.

Troco de caminho para não te encontrar e me perco neste labirinto.
Não tenho pressa de sair, sei quem vou encontrar ao final do túnel.
Rua sem saída.

Mesmo que por metamorfose ou osmose você mude, atrofie, se pinte de outras cores.
Ainda que se fantasie de outra epiderme, mascare seu sorriso, nuble seu olhar. 
Eu ainda saberei de você.
Saberei do que te traz sorriso ao canto da boca, do que seca suas lágrimas e do abraço que te reconforta.

Quisera sua armadura ser impenetrável tal ponto que não se desmanchasse diante de mim tão delicadamente como pétala de flor indo ao encontro do chão no outono.
Quisera meu veneno em forma de palavras poder te cortar como navalha recém afiada.
Quisera suas muralhas poderem deter minha cavalaria.

Você ainda sabe de mim.

Sabe dos sonhos que alimento, das frustrações que escondo e da fúria que me guia por momentos.
Sabe em quantos versos me escrever em poesia, em qual frequência me sintonizar quando saio deste mundo, em como calar até mesmo meu silêncio gritante e como pisar na minha soberba.

Fazer escolhas é uma arte

Fazer escolhas é uma arte

Estilo pertencente àqueles que se desfizeram do sangue nas veias para inativar os sentimentos. De quem sabe ser general de guerra, calculista, frio e vidente. De quem é audacioso o suficiente para desafiar o tear do destino. É para aqueles que estão sempre em busca de uma nova aventura, para quem não teme uma descarga do simpático com altas doses de epinefrina sobre o miocárdio.

Fazer escolhas é estar num campo minado onde um pequenino passo em falso resulta na explosão duma bomba atômica paradoxal. Há de ser levado em conta fatores que por vezes fogem o domínio. Por mais que arquitete minuciosamente como atingir seu alvo, sempre fica um tijolo de fora que é lembrado apenas quando o prédio está ameaçando desabar. Efeito dominó em cascata de dor no qual você não é o único acometido pelas consequências do seu erro.

Fiz minhas escolhas. Umas bem feitas, já outras, nem tanto. Resolvi trilhar meu próprio caminho. Eu por mim mesmo. Vovó me abençoou enquanto mãezinha colocava as malas no bagageiro. O relógio mental despertou – hora de conquistar meu próprio território. Meti o pé na estrada. E desde então, minha vida tem sido idas sem vindas.

Sempre planejei minhas partidas antes mesmo de chegar ao porto. Considerava-me do mundo, sem alguém que pudesse ser meu dono, sem um lugar capaz de me prender. Presa somente em minhas escolhas. Por mais que doesse, não importava, eu tinha que partir. Dediquei meu amor exclusivamente a esse espírito andarilho, embora houvesse bons motivos para eu permanecer onde estivesse. Logo eu, que nunca precisei de muito para desfrutar de estados de magnitude.

Das casualidades da vida, te encontrei no meio de uma tempestade e te usei como abrigo. “Será temporário” – jurei a mim mesmo. Tão logo me vi fazendo morada nos seus sonhos. Deixei minhas raízes crescerem sobre as suas. Esperei pacientemente pelos frutos. Mas quando se planta ilusão, torna-se impossível colher algo que preste (como me prestei a isso?).

Agora estou do outro lado da fronteira. Em minha epiderme arde o peso da partida de alguém. Sequer posso pedir para que fique. Nem um pouco mais. Afinal, quem sou eu para pedir alguma coisa? Quem sou eu quando sua sentença já foi deliberada? Quando suas escolhas não me incluem. Por escolha sua. Não tenho escolha. Já me foi dada. Os dados foram jogados. Volto quatro casas e você anda um milhão de milhas.

Ficar sem escolhas é efeito agonista da solidão. É estar de mãos atadas ainda que não haja algemas (as grades são miragens na cabeça articulando o pessimismo). É ser obrigado a retirar o time de campo ainda que o placar esteja ao seu favor. É ter somente a escolha de voltar para a estaca zero e assim, talvez, poder ter outras alternativas. É se submeter às mesmas dúvidas de antes somado ao peso nas costas da responsabilidade de passar por tudo outra vez com maestria impecável.

Não ter escolhas é para aqueles que não gostam de assumir o controle. Que são levados pelo vento e modelados por mãos alheias. É para quem sabe ver o positivo no negativo, para aqueles que aceitam facilmente as mudanças e simplesmente entram na dança. A ausência de escolha é uma arte. É para aqueles que são criativos natos. Para quem sabe se reinventar e enxergar beleza mesmo no fundo do poço.

Quisera eu ser artista. Gato de rua jamais será tão perspicaz quanto leão na selva. Rimas pobres nunca escreverão uma poesia.