• Blog Perspectiva Nova
    Atitude

    Saber dizer adeus é também sobre se dar uma segunda chance de ser feliz

    ainda que isso signifique não estarmos juntos...

  • Blog Perspectiva Nova - AMIZADE APRENDIZADO IDAS E VINDAS IRMANDADE
    Idas & vindas

    Sempre bom poder contar contigo, amiga!

    Sei que às vezes é um saco me aturar. Por mais simpática que pareço ser, sabemos bem a ogrinha na qual realmente sou com piques de humor exacerbantes.

  • Amizade

    Porque ela é dessas

    Ela tem uns parafusos a menos, faz do tipo “a do contra”, não se importa se vão pensar bem ou mal da sua pessoa. Aliás, se ela se importa contigo ou não, tu saberás.

  • Blog Perspectiva Nova - simplicidade
    Positividade

    Me amarro mesmo é em gente simples

    São essas pessoas que quero sempre ter por perto! Ninguém merece pessoas frias, falsas e que mantêm contato contigo apenas por interesse.

  • Perspectiva Nova -  poema de primavera
    Positividade

    Que floresça

    Ainda que verão de sol quente

    Após cada inverno

    No meio do outono inexoravelmente

    Até no averno

  • Perspectiva Nova - Cara, tens noção da mulher que deixaste partir?
    CONSELHOS DE MESA DE BAR

    Cara, tens noção da mulher que deixaste partir?

    Desejo-te o melhor do mundo, ainda que isto já tenha lhe escapado das mãos.

A vida deve continuar


Você sabe, nunca fui boa em refletir nos dizeres aquilo que sinto dentro de mim. Sou um tanto desajeitada e intensa, atropelo as pontuações e por vezes meu sujeito não conjuga os verbos no tempo da ação.

Aquele dia, porém, por trás daquela camada de alegria havia uma insegurança retida no seu olhar. Gelei. Meu ego estava tão acondicionado a ser sempre o ferido que busca conforto em seu colo. Ver-te vulnerável me desestabilizou por completo. A sua luta não podia ser enfrentada por ninguém mais a não ser você mesma.

Entretanto, fui para o campo de batalha enfrentar o inimigo assim como você fez tantas outras vezes por mim sem sequer cogitar o contrário.  E pela primeira vez eu saí da minha cápsula de protegida para tentar fazer algo por ti. 

Não sabia exatamente o que poderia fazer ou por onde começar, só queria de alguma forma que soubesse que foi contigo que aprendi conceitos que dicionários jamais poderiam ilustrar e que eu faria o impossível para retribuir toda devoção e carinho que teve comigo, embora o que eu fizesse jamais se compararia a grandeza das suas atitudes.

Segurei suas mãos entre as minhas, olhei seus olhos baixos e com convicção disse que te amava. Sem delongas ou outros adjetivos que pudessem florir a fala mesmo que o sentimento mais puro e lindo estivesse ali no peito. Disse assim, cruamente. Você assentiu humildemente tendo plena certeza que minha mensagem extravasava os limites silábicos. E eu entendi que por mais fraca que você estivesse jamais deixaria de me proteger.

Ah, minha querida se eu soubesse que aquele nosso abraço seria o último, não teria te deixado nunca... Congelaria o tempo nos nossos momentos mais felizes. E são diversos que sequer dou conta de discernir o superlativo. Ainda na doença ou tristeza, jamais deu vez para o pior se instalar. Com maestria e um sorriso no rosto você conduziu a situação. Aqui consigo te destacar como meu maior exemplo de superação. Por mais que eu tentasse seguir seus passos, era nítido que eu nunca poderia ser como você. Tão forte, corajosa, brava e, simultaneamente, o sinônimo de amor, doçura e carinho.

Eu procuro forças nos ensinamentos que me deste. Tento encarar o futuro de cabeça erguida, mas só de imaginar que você não está nele um medo me assola. É como naquelas noites de trovoadas em que eu me refugiava em sua cama. Só que você não está lá mais pra me aquecer. É como aquele nervosismo no estômago antes de subir ao palco e procurar seu olhar na platéia para me tranquilizar. Só que ao redor não vejo semblantes como os seus. Ou aquela paz de após um dia horrível chegar em casa e ter aquela sensação de que ao seu lado, nada pode me abalar. Mas você não está em casa.

Eu percorro os cômodos, toco em seus objetos, sinto seu cheiro... mas não sinto a sua presença. Nada além dessa sensação de abandono e vazio, de que há um abismo gigantesco que me impossibilita de te encontrar. É horrível sentir outras mãos me segurando e não sentir mais o seu toque. É difícil dormir sabendo que nunca mais vou acordar com você chamando meu nome. Péssimo ainda é acordar e ter que lidar com o fato de que isso tudo não é apenas um pesadelo.

É irônico porque você dizia que agora eu já sou crescida. Mas sinto que ainda sou aquela criança que durante suas viagens te ligava a todo o momento perguntando se já estava prestes a voltar mesmo sabendo que a resposta seria negativa. Sinto aquele desespero me tirando o ar e sequer posso usar o consolo de que dentro de mais alguns dias te verei novamente. Dessa vez foi uma viagem sem volta e nos despedimos com um “até breve”.

Reviro minhas memórias buscando um momento de fúria que tivemos para tentar amenizar essa dor. Mas até nossos desentendimentos se transformavam em piadas posteriormente. Sua expressão debochada remedando meu mau humor e sua risada contagiante sobressaem qualquer pensamento ruim que eu tente imaginar sobre você.

Meu coração fica minúsculo quando começo a desdenhar desfechos diferentes deste. E por mais que eu saiba que fiz tudo que minha capacidade permitiu, ainda, sim, uma sombra de dúvida paira em meus raciocínios. Se eu tivesse a chance de me desculpar contigo por não ter te obedecido, pelas vezes que menti, por não ter demonstrado mais todo esse amor e admiração que sinto...

O que não cabe em mim é a saudade. Ela é imensa e meu corpo já não a sustenta mais. Os momentos que tivemos foram ímpares. Se eu pudesse reviver cada lembrança, não alteraria nada. Deixaria intacto e conservaria em âmbar. Sempre, para todo e eterno sempre, vou ser grata por ter me amado incondicionalmente, por ter acreditado em mim quando nem eu o fiz, por ter sentido orgulho das coisas que fiz e da pessoa que me tornei. E mesmo sabendo que nunca serei nem um terço do que foste me sinto honrada quando evidenciam nossas semelhanças.

Diversas vezes você me preparou para sua partida, entretanto é inevitável não sentir essa inconformidade, essa angústia ao ver outras pessoas se apoderando do que era tão seu, de ter que ouvir semânticas que sei que jamais disseste, mas insistem em atribuir a você.

A vida deve continuar. De alguma forma. Estou tentando me fazer forte como você para reinventar a minha rotina sem o seu aconchego, seu carinho e seus conselhos. Estou tentando deixar essa dor ir embora para que quando eu pensar em você nenhuma lágrima de tristeza caia, para que eu sinta somente aquela sensação de que sou feliz e abençoada por ter te conhecido.

Não ouso me despedir, assim como você não fez da última vez que nos encontramos. Despedidas não fazem nosso tipo, principalmente quando existe essa conexão que há entre a gente. Vou te amar para sempre!

Mais um verão (um verão a mais)

blog perspectiva nova - mais um verão

Invejo aqueles que possuem a artimanha de aproveitar o tempo que lhes cabe.

De viver o agora sem carregar as marcas do passado e sem pensar no amanhã.

Para compreender que a vida é um ciclo que individualmente é linear com ponto de partida e chegada.

Almejo um dia ser coroada com a maturidade não só em números.

Ainda sinto que sou uma criança que ao menor sinal de perigo corre desesperadamente ao amparo da mamãe e da vovó.

Sinto que ainda há em mim uma esperança, embora pequenina, de que fadas e bruxas existam e que extraterrestres nos visitam enquanto dormimos profundamente.

Peter Pantite.

Ou Síndrome de Peter Pan.

Talvez seja isso.

É irônico.

Quando criança, queremos ser gente grande.

Quando gente grande, queremos ser criança.

Anacronismo crônico

blog Perspectiva Nova


Quisera os anos que passaram terem magnitude ou possuírem a manha de danificar o mecanismo que mantém seu retrato intacto na minha estante.
Tampouco deletar suas lembranças tatuadas sobre as minhas feridas não cicatrizadas.

Poderíamos continuar uma década sem nos vermos.
Talvez séculos.
De nada importaria.

Troco de caminho para não te encontrar e me perco neste labirinto.
Não tenho pressa de sair, sei quem vou encontrar ao final do túnel.
Rua sem saída.

Mesmo que por metamorfose ou osmose você mude, atrofie, se pinte de outras cores.
Ainda que se fantasie de outra epiderme, mascare seu sorriso, nuble seu olhar. 
Eu ainda saberei de você.
Saberei do que te traz sorriso ao canto da boca, do que seca suas lágrimas e do abraço que te reconforta.

Quisera sua armadura ser impenetrável tal ponto que não se desmanchasse diante de mim tão delicadamente como pétala de flor indo ao encontro do chão no outono.
Quisera meu veneno em forma de palavras poder te cortar como navalha recém afiada.
Quisera suas muralhas poderem deter minha cavalaria.

Você ainda sabe de mim.

Sabe dos sonhos que alimento, das frustrações que escondo e da fúria que me guia por momentos.
Sabe em quantos versos me escrever em poesia, em qual frequência me sintonizar quando saio deste mundo, em como calar até mesmo meu silêncio gritante e como pisar na minha soberba.