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O típico caipira brasileiro

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Mazzaropi
Ator, produtor e diretor paulista


Um simples menino que fazia vivências circenses simplesmente fugiu ainda pequenino com o circo de La Paz abandonando tudo para trás em busca de realizar seus sonhos... e ele conseguiu!

E quem diria que o filho do imigrante italiano, Bernardo Mazzaropi, e da portuguesa Dona Clara Ferreira faria tanto sucesso!? De uma cidadezinha do interior de São Paulo para o mundo, Amácio Mazzaropi conquistou e provocou gargalhadas em plateias de toda idade.


Nascido em 1912, ainda pequeno, Amácio passava longas temporadas na cidade de Tremembé SP na casa de seu avô materno João José Ferreira, outro artista que tocava viola e dançava cana verde. João José também era animador das festas no bairro onde morava, às quais levava seus netos que, já desde cedo, entravam em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi a criar seus personagens caipiras.
      Quando eu comecei minha vida artística, muito pouca gente que vai ler esta história existia. Nasci em 1912, e na época em que comecei tinha uns quinze anos. Naquele tempo, o gênero de peças que fazia sucesso no teatro era caipira. E, como todo mundo, eu gostava de assisti-las. Dois atores, em particular, me fascinavam. Genésio e Sebastião de Arruda. Sebastião mais que Genésio, que era um pouco caricato demais para meu gosto. Nem sei bem por que, de repente, lá tava eu trabalhando no teatro. Mas não como ator – eu pintava cenários. Aliás, eu amava a pintura, sempre amei a pintura. Pois bem, um belo dia “perdi” o pincel e resolvi seguir a carreira de ator. No começo procurei copiar a naturalidade do Sebastião, depois fui para o interior criar meu próprio tipo: caboclão bastante natural (na roupa, no andar, na fala). Um simples caboclo entre os milhões que vivem no interior brasileiro.                           
 Trecho da entrevista concedida por Mazzaropi à Revista Veja em 20/01/1970


Amácio sempre foi um bom aluno que era reconhecido por sua facilidade de decorar poesias e habilidades ao declamá-las, o que o incentivou a regressar na vida circense aos dez anos. Porém isso não agradou muito seu pai machista que preocupado com o envolvimento de seu filho com as atividades do circo, o mandou para Curitiba para ficar sob cuidados de seu tio Domenico Mazzaropi, lá ele “estaria ocupado demais” trabalhando na loja de tecidos da família.
Em busca de concretizar seus sonhos, aos dezesseis anos Mazzaropi fugiu para a capital paulista com o Circo de La Paz. Ele contava anedotas e causos durante os curtos períodos de intervalo do número do faquir, e esses poucos minutos já eram muito gratificantes para ele. Mas como o “bom filho a casa retorna”, em 1929 Mazzaropi passou por dificuldades financeiras que o levou de volta para Taubaté com os pais, onde começou a trabalhar como tecelão. Mas o teatro já havia se tornado um vício para ele e, para supri-lo, atuava numa escola do bairro.


“Os amigos diziam que Mazzaropi não era nome de caipira, que era nome de italiano, mas eu respondia para eles que, se não era, iria virar. Que eu não tinha vergonha do que ia fazer e, por isso, ia fazer com meu nome. E o público gostou do meu nome, gostou do que eu fiz. Turnês em circos, teatros, recitando monólogos dramáticos, fazendo a platéia rir, chorar. Mas sempre com uma preocupação: conversar com o público como se fosse um deles. Ganhava 25 mil-réis por apresentação quando comecei, passei a ganhar bem mais quando montei a minha própria companhia. De nada adiantou a preocupação dos meus pais quando eu saí de casa: ‘quem faz teatro morre de fome em cima do palco’. Eu fiz e não morri, pelo contrário, sempre tive sorte – sempre ganhei dinheiro. Mas eu era bom, era o que o público queria.”

Amácio sempre foi um bom aluno que era reconhecido por sua facilidade de decorar poesias e habilidades ao declamá-las, o que o incentivou a regressar na vida circense aos dez anos. Porém isso não agradou muito seu pai machista que preocupado com o envolvimento de seu filho com as atividades do circo, o mandou para Curitiba para ficar sob cuidados de seu tio Domenico Mazzaropi, lá ele “estaria ocupado demais” trabalhando na loja de tecidos da família.

Em busca de concretizar seus sonhos, aos dezesseis anos Mazzaropi fugiu para a capital paulista com o Circo de La Paz. Ele contava anedotas e causos durante os curtos períodos de intervalo do número do faquir, e esses poucos minutos já eram muito gratificantes para ele. Mas como o “bom filho a casa retorna”, em 1929 Mazzaropi passou por dificuldades financeiras que o levou de volta para Taubaté com os pais, onde começou a trabalhar como tecelão. Mas o teatro já havia se tornado um vício para ele e, para supri-lo, atuava numa escola do bairro.

Em 1932, com a Revolução Constitucionalista e com aquela agitação cultural toda acontecendo, Mazzaropi não perdeu a chance de apresentar sua primeira peça teatral: a "Trupe Mazzaropi", que percorreu o interior de São Paulo divulgando o espetáculo. Por dez anos Mazzaropi levou essa vida de artista com sua Trupe mesmo seus pais sendo contra.

Com o falecimento de sua avó materna ele utilizou o dinheiro da herança para comprar um telhado de zinco para seu pavilhão e estrear na grande capital paulista. Suas atuações sempre foram bem elogiadas e apreciadas pelo público. Fora isso que o permitiu fazer uma turnê pelo Vale Paraíba, mas a grave situação de saúde de seu pai comprometeu a situação financeira da Companhia de Teatro. E infelizmente Bernardo Mazzaropi não resistiu, morrendo em 1944. Contudo, após a morte de seu pai ele ainda estreia em grandes teatros dignos de suas peças.


Em 1946, ele trabalhou na Rádio Tupi com o programa Rancho Alegre, dirigido por Cassiano Gabus, e como todo bom trabalho logo é reconhecido, seu programa estreou na TV quatro anos depois. E desde então as portas se abriram para ele. Mas o que ele realmente queria era produzir um filme, e não se hesitou ao se desfazer de seus dois carros Chevrolet americanos, terrenos, economias bancárias e, ainda, perguntou ao seu filho de criação se ele não se importaria em trocar o colégio particular por um estadual. Ficou apenas com o terreno do Itaim Bibi, mas conseguiu o dinheiro que precisava para produzir seu filme.

A convite de Vera Cruz ele estreiou seu primeiro filme “Sai da frente” em 1952. Após trabalhar em outros estúdios, Mazzaropi decidiu, finalmente, abrir sua própria produtora, a PAM (Produções Américo Mazzaropi), em 1958, e seu primeiro sucesso com a nova produtora foi “Chofer na Praça”. Em 1962 começou a trabalhar com vigor no filme “Jeca Tatu” que estrelou no ano seguinte emplacando as bilheterias. E assim foram seus filmes pelas duas décadas seguintes.


Como cineasta, Mazzaropi fez 32 longas-metragens durante a sua carreira contando histórias que tinham uma dose de crítica e humor sempre na medida certa. Elas sempre abordavam o racismo, a religião, a política e até a ecologia. Tudo isso com aquele jeitinho dele, bem na “língua do povo”. Entretanto as críticas em cima dele eram pesadas e só o puxavam para baixo ao dizerem que seus filmes eram “superficiais”. Apesar do enorme sucesso com o público, a elite intelectual do país apenas o denegria. O que não foi o bastante para impedi-lo se seguir em frente.

O homem humilde que começou no circo e gostava de cantar valsa, MPB e seresta com os amigos não resistiu ao câncer na medula óssea. No dia 13 de junho de 1981, o Brasil perdeu não apenas um cidadão de 69 anos, mas um grande artista que sabia provocar risos naturalmente. Mazzaropi era homossexual e nunca se casou. Embora não tivesse filhos legítimos, ele adotou Perícles, que faleceu nos anos 90.

Ainda hoje seus filmes têm grande repercussão na mídia e seus personagens são sempre lembrados.




"Mazzaropi conseguiu o que ainda hoje parece quase impossível: criar uma indústria de cinema genuinamente nacional, independente (sem subsídios ou financiamentos) e, além de tudo, bem sucedida."
- Afirma Mazzaropi à Revista Veja em entrevista concedia a Armando Salem 28/01/1970

Já conheceu o Museu Mazzaropi? Você pode conferir um pouco mais da vida dele aqui: museumazzaropi.com

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