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Resenha: Razão e sensibilidade

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Razão e sensibilidade de jane austen

Discriminação, preconceito, desigualdade social e uma pitada de amor... Essa foi a receita que Jane Austen seguiu para escrever seu romance “Razão e Sensibilidade” há mais de 200 anos atrás.

Jane Austen (1775-1817) foi uma escritora renomada proeminente e teve grande participação no Romantismo, que foi um movimento literário iniciado no final do século XVIII e vigorou até metade do século XIX aproximadamente.

Sua obra “Razão e Sensibilidade” é considerada uma das maiores da literatura inglesa com um enredo bem dramático, romântico, sutil, irônico e crítico à sociedade do século XVIII, época em que viveu. A história narra a vida das irmãs Elionor Dashwood e Marianne Dashwood, ambas com personalidades claramente diferentes. Elionor com 19 anos é a mais velha, forte, decidida, corajosa e sensata, enquanto Marianne com 17 anos é tímida, medrosa, romântica descontrolada e não possui nenhum equilíbrio emocional. Elionor é “razão” e Marianne é “sensibilidade”. As irmãs Dashwood se assemelham apenas na forma de sentir o amor, mas agem de formas distintas. E a autora usa ambas para ensinar verdadeiras lições de vida.

Contém leve spoilers, nada que comprometa a leitura se você ainda não leu ;)

Após a morte do pai, as irmãs recebem uma mísera herança que as impossibilitam de fazer um bom casamento dentro das normas sociais da época. Elionor se apaixona por Edward e percebe que ele sente o mesmo, porém sabe que a família do rapaz considera o dinheiro de extrema importância e por isso não demonstra seus sentimentos, por saber que o fato de sua família estar falida impossibilitaria a união dos dois.

Contrariando a forma de pensar da irmã, Marianne não se importa nem um pouco em demonstrar seus fortes sentimentos e atração por Willoughby, um rapaz fascinante. Marianne pensa que demonstrar o que sente por ele é digno no mínimo de se fazer pelo amor dele. E por isso ela dedica grande parte de seu tempo a ele. Juntos eles riem, brincam e até dançam, mas nada de comunicarem oficialmente o noivado. E é exatamente isso que preocupa Elionor, que por ser muito protetora teme que sua irmã sofra discriminação e exclusão da sociedade, já que tal comportamento com um rapaz deveria existir apenas se houvesse algum compromisso lavrado.

Após acontecer o que Elionor temia, Marianne cai em depressão profunda e o desespero que a consome é tão intenso que em determinado momento ela chega a quase gritar estericamente de tanta agonia. Entretanto, Elionor se mantém sensata a tudo e ainda sofre silenciosamente por dentro, amargurada de amar Edward. 

Caricatura de Jane Austen
O tema de “Razão e Sensibilidade” gira muito em torno do relacionamento entre homem e mulher e ao descrever um simples beijo, chega a parecer que Austen descreveu uma cena de sexo explícito, considerando que naquela época para as pessoas se tocarem teria que haver uma proximidade e intimidade muito grande devido ao pudor ainda ser seguido e conservado restritamente. 

Pode chegar a parecer melodramático a história, mas é o retrato mordaz perfeito da sociedade inglesa do início do século XIX. É através dessas personagens que Austen critica toda essa idolatria ao dinheiro, ambição e egoísmo. Parece clichê, mas é a realidade: o amor está abandonado no coração dessas pessoas excêntricas e é por isso que elas constroem relações baseadas em interesses onde se visa todo o tempo o que se ganha e o que se perde.  Sob linguagem metafórica, a obra critica apuradamente esses hábitos indolentes da aristocracia britânica dos anos de 1800.

Agora voltemos nosso olhar para a sociedade atual. É impressionante como podemos perceber claramente que apesar do cenário e da indumentária ter mudado, muito do que Austen descreveu há tantos anos, aplica-se perfeitamente a sociedade atual.

Os motivos para Austen defender a personagem Elionor e sugerir que sejamos como ela, é muito simples: ser sensível e verdadeiro o tempo todo é muito perigoso quando se vive em uma sociedade egoísta, machista e preconceituosa como a nossa, onde as prioridades são cada uma mais ridícula e hipócrita que a outra. Não que devemos ser e agir como uma pedra diante dos fatos porque isso seria impossível, mas devemos saber usar a razão para “temperar” a sensibilidade e deixá-la na medida certa para que não se aproveitem de nossas fraquezas, medos, sentimentos, lealdade, etc.

Tendo oportunidade, aprofunde bem nas obras de Austen para conseguir captar com êxito a essência e a mensagem da história que é riquíssima em filosofia, crítica e contos.

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Para mais informações, acesse: janeausten.com.br

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