E você achou que eu também não ia falar dos protestos?



Resposta tardia à Mafaldista (E você achou que eu não ia falar dos protestos?).


Quase um mês após o “Gigante despertar” de vez e aqui estou eu para também falar a respeito dos protestos. Eu adoraria, do fundo do coração, citar aqui tudo o que penso e justificar minha indignação, mas um texto com palavras seletas não seria o suficiente para ajudar os brasileiros que estão sendo oprimidos nas ruas por policiais e que estão sendo rotulados pela mídia de “vândalos, marginais e vagabundos” quando na verdade são pessoas lutando por nossos direitos comuns.

É verdade que há uma pequeníssima parcela de pessoas de má fé infiltradas nos movimentos, mas é verdade também que há milhões de pessoas indignadas com nosso país e que estão pedindo melhoras de forma “pacífica e democrática”.

Se você ainda não entende a razão que muitos estão manifestando, não sei se culpo a sua mediocridade em abster-se da realidade ou se culpo o sistema educacional falho de nosso país. Afinal, as escolas de hoje se tornaram uma fábrica de mentes fracas alienadas pela mídia subordinada e corrupta; alunos que futuramente poderiam mudar a realidade desse país cuja prevalência é da desigualdade social estão sendo transformados em marionetes do sistema.

Se você só protesta pelas redes sociais, que ao menos faça isso direito! Que essa onda crescente de protestos não sirva apenas como fonte de fotos “inspiradoras” e frases patriarcas “lindas” no Facebook, Twitter ou qualquer outra rede. Que isso tudo sirva para você publicar informações realmente úteis e principalmente mostrar aos desavisados que, ao contrário do que alguns dizem, temos causas as quais protestar!
E as cinco causas são o mínimo do mínimo que reivindicamos. Queremos muito além de educação e saúde pública porque isso é o básico que já deveria nos ser garantido. Os vinte centavos aumentados nas tarifas de ônibus foram a gota que faltava para a água do copo transbordar de vez. Temos uma linda revolta… E agora? Agora vamos focar na prioridade. O fato é que, se realmente não fizermos isso, vamos “marchar” para lugar nenhum. E não podemos deixar de forma alguma que as passeatas se cansem e que nos conduzam a nada. Não podemos deixar que o gigante após “despertar” volte a dormir!

Se você não concorda com nada disso, apenas retire-se minuciosamente, mas peço que, na próxima eleição, pense articuladamente no candidato que irá eleger. Se não vai ajudar, por favor, não nos atrapalhe.

E, não, eu também não sou a favor que esse movimento seja apartidário porque isso também me assusta. Penso que numa democracia é quase impossível culminar mudanças sem a ação de políticos e seus respectivos partidos. Subentenda que quando digo “partido” também ressalto os "ideais de cunho político, econômico e moral”, pois não quero transformar minha democracia em anarquismo e muito menos retroceder a um regime de exceção sem parlamento e sem eleição, no qual deixamos há menos de trinta anos (me refiro à ditadura que sufocou milhões de brasileiros).

Se você não vai fazer nada por se intitular “apolítico”, lamento, mas é exatamente isso que o sistema quer: pessoas sem partido. Quando você se diz apolítico, infelizmente, sua condição de imparcialidade afirma que concorda com o cenário político de nosso país. Acorde você também!

Se você está protestando e lutando pelos nossos direitos, não está fazendo mais do que o seu papel como cidadão. E continue assim, entretanto não espere aplausos por uma atitude esperada de quem realmente pensa e nem vá depredar patrimônios públicos para chamar atenção, por favor, pois a conta desse vandalismo não será o governo quem irá pagar.

Vamos continuar indo às ruas e protestar! E que a mídia continue manipulando e abafando nossos gritos porque nossa indignação não vai ficar apenas nisso, ela irá refletir nas urnas (pelo menos é o que espero)!

4 comentários

  1. E euu então... indignada com tudo isso... meu deus ser chamado de marginais por querer um mundo melhor sem roubalheira e desonestidade. me poupe né... por isso que o Brasil ta desse geitoo... o povo acordou ,... mais agora chamados de vandalos....
    minhamaniadeler.blogspot.com

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  2. Olha, assino em baixo. Sou a favor de tudo o que está acontecendo e muito mais. Claro que sempre tem os do contra, mas ainda bem que são minoria!
    Beijinhos

    Hipérboles
    @hiperbolismos

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  3. Lembro que um amigo me disse assim no dia que eu náo pude participar de um protesto aqui na minha cidade: Pelo menos eu estarei la lutando e brigando ... eu respondi.. nao faz mais que sua obrigacao e de repente nunca mais vi ele online rsrsrsrsr

    eu sou a favor de todos esses protestos, so que civilizados

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  4. Olá!
    Muito obrigada por responder meu post (sei que já faz um tempo) e fico feliz que ele tenha levado alguém a refletir, afinal essa era a sua intenção!

    Sobre o seu texto, ele me lembrou muito dos "social justices". Essa camada branca, de classe média, que toma para si as dores das chamadas minorias políticas mas não toma medidas mais drásticas - como protestos e até mesmo o próprio estudo da suposta causa defendida - para proteger os interesses dessa exata minoria.

    Ao invés disso, eles se limitam a ficar nas redes sociais a falar mal de uma sociedade que nunca luta pelo coletivo, mas que eles próprios não se esforçam a dar o exemplo.

    A propósito, já soube que está em votação a proposta do voto aberto para deputado? Acho que seria uma melhora substancial...

    Beijos

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