Não precisamos de um guia erótico


E parece que o erotismo está na moda, nunca esteve tão em alta quanto nos dias de hoje. Nas capas das revistas femininas e é lá que ele está em forma de receita: “como enlouquecer seu homem em dez passos”, “5 posições que eles adoram”, “lingeries para tirar o fôlego do bofe”, “comidas afrodisíacas pra conquistar o gato”, “como atingir o orgasmo no sexo anal”, “como salvar seu relacionamento em apenas 3 dias”...

Me pergunto por que a mídia insiste em injetar isso principalmente na mente das mulheres. E a resposta é simples: porque desde o nascimento da sociedade “temos que”. A mulher tem que aprender a enlouquecer seu parceiro enquanto este tem que estar confortável no sofá vendo uma partida de futebol com um exemplar do 4Rodas ao lado.

Não vejo essas revistas femininas como um espaço conquistado para as mulheres. Vejo como uma espécie de deboche, de dinheiro e tempo gasto à toa. O conteúdo tem nota zero no quesito representatividade: está sempre apontando mulheres altas, magras e loiras, propagando um único ideal de beleza.

Vejo em bancas apenas revistas machistas que apoiam a tese de que a mulher tem que saber de maquiagem, moda, fofoca de artista e tem que aprender a salvar ou manter quente o relacionamento sexual. Ou seja, além de a mulher ter que ser linda, magra e inteligente, tem que aprender “os quatro erros comuns das mulheres durante o sexo”.

Longe de mim de dizer o que ler ou não. Mas nenhum conteúdo desse gênero abrirá a sua mente, irá dar visibilidade as mulheres negras, atenderá aquelas que fogem dos padrões ou a realmente irá salvar seu relacionamento.

Não sei quanto a você, mas quanto a mim, nenhuma revista irá dizer qual cor usar nesse verão. Gosto de amarelo e essa cor não é tendência agora, tudo bem porque eu me sinto bem de amarelo. Não sou um objeto manipulável, uma boneca de plástico loira dos olhos azuis. Sou ser humano de carne e osso. Se há um problema no meu relacionamento não é aprendendo “as cinco melhores posições do Cama Sutra” que resolvo isso, mas sim conversando com meu parceiro, aliás, quem garante que o problema é sexo? Se eu quero emagrecer, não é através da “dieta da luz” que vou conseguir meus resultados estimados, mas sim com a ajuda de um especialista pronto para me dar a assistência de que preciso.

Acredito que nós mulheres somos autossuficientes. Não precisamos de mais uma receita de “como sentir prazer fazendo sexo oral nele”. Não precisamos de uma receita artificial, exagerada e forçada que nos faça parecer ridículas, submissas e acrobatas durante o sexo. Onde está nosso amor próprio?



Obrigada Fernanda por ouvir minhas indignações e me ajudar a passá-las para o papel!

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