País rico é país que investe em educação

 

E mais uma vez os fatos se repetem. Sentados em nossos sofás diante da tevê a história se concretiza: luta de classes, luta por direitos básicos.

Todos os dias, integrantes do MST (Movimento dos Sem Terra) reivindicam por terras e reajustes. Terras essas concentradas nas mãos de latifundiários enquanto a miséria predomina a vida de trabalhadores. Contraste evidente da podridão dos brasileiros (e de grande parte do mundo), a desigualdade social. Dentro desse movimento, de um lado temos alguns em busca de seus direitos. Do outro lado temos pessoas egoístas e ambiciosas infiltradas apenas para aumentarem suas riquezas materiais e também o índice de desigualdade. Como a fiscalização de nosso país é falha, quem garante que cem por cento dessas terras serão entregues realmente a quem precisa?

É de uma mediocridade e uma ironia social as pessoas terem que se humilharem diante do governo por um abrigo ou comida. Onde estão os Direitos Humanos? Não são eles que asseguram que todo individuo em sua condição de ser humano tem direitos básicos como moradia, alimentação ou segurança? Mas nossa sociedade capitalista não garante nada disso, muito pelo contrário: garante apenas a miséria, pobreza e desigualdade (lixos sociais frutos do excesso, da industrialização e da modernização).

Mas o que esperar de um país onde professores precisem ir às ruas darem um grito da agonia em que vive a educação pública atualmente?

Ocupar a Cidade pela Educação

O que esperar de um país em plena véspera de Copa Mundial, cujos profissionais da área de saúde precisem ir às ruas chamar atenção para a precariedade em que a saúde pública se encontra? Faltam médicos especializados (os poucos que tem, batem ponto no hospital e vão embora atender em seus consultórios ou clínicas particulares), faltam remédios, faltam macas, falta investimento na saúde.

 Médicos fantasmas na rede pública

O que esperar de um país onde vândalos infiltram movimentos de cunho social e deixam um holocausto por onde passam, formando o “black bloc”: idiotas e desavisados que destroem bens públicos e não percebem que a conta dos danos não é o governo quem paga.

Quem são os Black Blocs?

O que esperar de um país onde adolescentes de 16 anos são responsáveis o suficiente para eleger candidatos a cargos políticos, para retirarem preservativos em postos de saúde, serem pais (...), mas não são o suficiente responsáveis para responderem por seus atos diante da lei?

Brasileiros estão com as mentes vazias de conhecimento. Simplesmente ignoram a ética, a moral, a politica. Estão todos conformados com tanta desigualdade porque acham que é o que de fato merecemos, por isso o governo se nega a preencher essa lacuna, porém alegam que “País rico é país sem pobreza”. E o que concluímos a partir disso é que nas pautas de erradicação da pobreza no Brasil não se encontra o investimento na educação. 

Um marxista me disse certa vez que não há investimento porque consequentemente a população estaria saudável física e mentalmente. Disse-me também que uma mente que realmente pensa é intolerante à corrupção e a quem burla as leis. Além de tudo, tais fatos atuais já estava previsto e dito por filósofos como o próprio Karl Marx. Daí você tira suas próprias conclusões.

Por mais pessimista que posso parecer ás vezes, ainda não consigo acreditar que milhões de pessoas ainda precisarão continuar morrendo à míngua sem ajuda alguma para o rico continuar rico (então o pobre tende a ficar cada vez mais pobre). Seria tudo isso vestígios da colonização mesmo com tanto tempo passado? Afinal, nosso país é extremamente conservador. Os poucos avanços que conquistamos estão evanescendo deixando-nos com sério risco de vermos o Brasil entrar num grande retrocesso democrático, econômico, social e cultural. Será que ainda há tempo de se fazer alguma coisa? Parece que o gigante voltou a dormir...

2 comentários

  1. Adeisa, você mal pode imaginar a imensa alegria que senti quando certo dia liguei a televisão e me deparei com uma multidão de milhares de pessoas na rua, lutando pelos próprios direitos, ou a incrível sensação de ver minha cidade fazendo parte de tudo isso e eu tendo a oportunidade de ir ás ruas. Pensei que estava tudo mudando, que enfim passos grandes estavam sendo dados rumo a um país melhor. Mas também Adeisa, você mal pode imaginar o esquisito sentimento que me dominou, quando em uma manifestação, olhei para os lados e tudo que vi foram pessoas apenas preocupadas em mostrar em quanto estavam sendo revolucionários de facebook. Então, percebi que tinham descaracterizado um movimento inicialmente legítimo, que tinham banalizado algo que parecia ser um anuncio de algo grande que estava surgindo. O Brasil, é um povo bom, não somos maus, mas há uma condescendência tão grande quanto a qualquer pequena esmola que nos é dada, vejo bem perto de mim, pessoas venderem uma parte da sua cidadania que é o voto em troca de favores minúsculos como um botijão de gás, ou uma cesta básica, e então depois abaixam a cabeça ou reclamam indignados quando numa fila para o hospital um filho seu morre por indulgência do político que ajudou a eleger. O processo sócio-histórico de colonização sempre se fará presente enquanto nossas correntes não forem quebradas pela educação em todos os aspectos, mas como você mesma deu a entender no seu ótimo texto: Que governo dará esse poder tão grande ao seu povo? Vejo no entanto que há uma juventude pensante surgindo, que a nossa geração pode, e deve mudar muita coisa, mas o Brasil precisa de muita ajuda, o que nos resta é sermos confiante e lutar. Você sabe o quanto adoro escrever e me expressar pelos outros comentários que faço aqui, mas só sou levada a escrever esse comentários gigantes porque o que você escreve é extremamente coerente, e faz absolutamente todo o sentido, adoro estes posts que inserem algo na minha mente, que me façam querer "falar". Parabéns, seu blog é um dos únicos em que sempre tenho certeza que vou encontrar pensamentos reais e não ladainhas de blá, blá, blás apenas para agradar leitores! Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mell, a Mafaldista uma vez comentou sobre esses movimentos: "temos uma linda revolta... e agora?" Isso sintetiza bem essa desnorteação que vc apontou quando disse "Então, percebi que tinham descaracterizado um movimento inicialmente legítimo, que tinham banalizado algo que parecia ser um anuncio de algo grande que estava surgindo." Talvez esse seja o problema e que por isso os políticos não tenham movido uma palha p/ mudar as situações: o povo tem feito pressão sobre eles por fazer (ou para postar uma foto legal na rede social segurando um cartaz protestando).

      Espero que essa juventude que estar por vir realmente pense antes de votar. Não só ela, mas todos temos que pensar antes de votar. Para você ter ideia, aqui na minha cidade (Itabira -mg) um palhaço foi eleito vereador. O que concluímos a partir disso? Que o povo é exatamente o político que ela elege.

      Poxa Mell, fico extremamente contente por saber que o Perspectiva Nova tem provocado essa vontade de colocar tudo pra fora. Muito obrigada por estar sempre por aqui!

      Abraços!!!!!

      Excluir