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E você achou que eu também não ia falar sobre as eleições?

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sobre as eleições

Junho de 2013: há pouco mais de um ano fomos às ruas erguendo nossos cartazes, reivindicando nossos direitos e deixando bem claro que aquele auê “não era apenas por R$ 0,20 centavos”, mas sim o desabafo de um povo cansado pela situação que nosso país se encontrava.

Os políticos tremeram com o anúncio de que o “gigante havia acordado”. A câmara dos deputados foi tomada por manifestantes, a PEC 37 e a “cura gay” foram derrubadas e o aumento das tarifas foi revogado.

Os gastos com os preparativos da Copa extrapolaram arduamente o orçamento previsto só para atender aos padrões FIFA. Então foi a vez do Congresso Nacional ser tomado para anunciar “que não ia ter Copa”, pois queríamos uma educação e saúde também sob os padrões FIFA.

A mídia de grandes massas deturpou os movimentos alegando que se tratava na verdade de baderna de vândalos. E a presença dos Black Bloc’s apenas fomentou isso.

Os policiais (que teoricamente deveriam nos proteger), a mandado dos políticos, atacaram o povo como se estivessem numa guerra. Resquícios da época da ditadura militar.

Muito se disse e muito se ouviu dizer que as manifestações de junho não ficariam apenas nas ruas e que, assim como nossas indignações, chegariam às urnas.

Outubro de 2014: as tarifas aumentaram, escândalos de corrupção continuam minando as manchetes, nada se fez pela saúde e educação e teve Copa. Teve muita Copa. Teve Copa pra caralho.

As eleições aconteceram mostrando que a história continua a mesma: aqueles tão criticados por envolvimento com corrupção, projetos homofóbicos como a “cura gay” e descaso com as minorias foram reeleitos em alta porcentagem.

Não, mudanças no cenário político-social não ocorrem em tão breve espaço de tempo. É um processo que leva anos, décadas e, talvez, séculos. Vide o que nos ensina a história sobre a queda do imperialismo ou monarquia. Entretanto, o problema se encontra no retrocesso que estamos vivendo, na falta de maturidade para discutir os passos a serem dados pelo “gigante que finalmente acordou” ou ele de fato marchará rumo a lugar nenhum.

As redes sociais que um dia nos uniu para ir às ruas se transformaram em um ambiente frio e assustador. Por lá, a violência moral e o gaslighting predominam quando deveria ocorrer na verdade discussões sérias e nada reaças. Por isso, a menos de um dia do segundo turno vemos nossa democracia ser abalada por discursos sem fundamentos tangíveis.

As pessoas tem problema grave em aceitar o diferente. Não respeitam o outro e sua vivência, por isso atacam com ódio e intolerância em nome da moral dos “cidadãos de bem”.

Os debates dos presidenciáveis são exemplos lúcidos disso: o sujo falando do mal lavado. Apenas aquele discurso velho e conservador disfarçado de “nova política”. Por parte dos eleitores predomina-se uma intolerância descabida e raivosa, o que ressalta apenas que as pessoas infelizmente não sabem o valor da empatia e que não consideram de forma alguma olhar fora do seu umbigo.

E nessa quase sangrenta guerra entre os dois eleitorados-torcidas, independentemente de quem vencer o segundo turno presidencial, quem perde é a democracia. Fica cada vez mais claro, à medida que passam os dias que antecedem 26 de outubro, que a sociedade brasileira está completamente despreparada para debater o aprofundamento do regime democrático, a extensão das prerrogativas políticas dos cidadãos.
- Robson Souza, Consciência Blog.

Portanto, caro leitorx, espero que você realmente esteja ciente do seu voto nessa eleição. E não perca amizades por causa de discursos de intolerância não. Aceitar o diferente pode ser mais construtivo se você abrir a mente.  

(c) Ilustração: Fernanda Moreira.

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