Ego, orgulho e apego. Adeus!

blog Perspectiva Nova - Ego, orgulho e apego

Pois eu já não lhe disse que ela é extremamente teimosa quando insiste numa ideia? Veja só no que deu... A garota que só queria curtir a vida agora está presa num ciclo vicioso de apego. Ela bem sabe que está num baita enrolo, todavia deixa seu ego tomar conta de si quando se trata dele: não espera que ele mude, espera mudá-lo; quer ser a revolução da sua vida. Diz que não se julga melhor que ninguém, entretanto suas atitudes não condizem com as palavras.

E não se deixe enganar por sua pose de durona! Quando o papo é amor e afins ela se desmancha por completo, não mede as consequências de suas loucuras e não se importa em entregar-se sem precedentes. Parece uma forma linda de se viver e ser. Só que não é. Só quem é desses - dos que se apaixonam vorazmente ao menor sinal de romance -, sabe a dor que é isso: dar tudo de si e receber nada em troca. Amor é assim, paixão não. Paixão tem que ser nutrida se não o fogo esfria. Amor é desinteressado, ilimitado. Paixão se não é recíproca gera instabilidade e alguém sempre acaba por sofrer.

Ela sabe que é linda, mas não se sente linda o bastante para ele. Ela sabe que não precisa se sentir linda para ele, mas quer que ele exalte tanta beleza. Ela sabe que é inteligente e só Deus sabe o quanto ela lutou para chegar onde está, mas perto dele se sente imbecil e fútil. Ela sabe que tem um valor altíssimo, mas junto dele se sente um lixo. Longe dele ela é tudo, perto é ninguém. Quanto mais se sente assim, mais quer possuí-lo, tê-lo por perto e dominá-lo. O envolve em cada situação na afobação de tanto desejo... Ele bem gosta, por isso foge e some na intenção de fazê-la sentir-se contrariada por alguém se desfazer de tal forma de sua pessoa. Então, numa tentativa falha de vingança, ela tenta fazer com que ele precise dela vorazmente e se entregue tanto quanto.

Eles são duas extremidades perigosas atraídos por seu oposto. Viver na corda bamba deixa-os fascinados, agita a rotina e amam a sensação do proibido, do descompromisso. Ela se arrasta por ele, dobra o orgulho e sente que tudo vale a pena quando o tem em seus braços. Ele se segura ao máximo para não render aos seus caprichos, mas vai atrás sempre que precisa satisfazer sua vaidade. Um lambendo a ferida que causara no outro.

Ele vai embora sempre que pode e ela só quer ser a razão de sua volta. Ele vem com migalhas de afeto e ela recebe como se fosse um verdadeiro banquete imperial. De tanto entregar tudo de si, ela está despedaçada. Ele, intacto. Não se sente culpado pela obsessão que lhe causou. Afinal, fora ela quem deu-lhe o beijo selando esse contrato sujo e o convidou para embarcar de mala e cuia nessa mera aventura de amor. Que, aliás, de amor nada tinha. Tinha muita paixão. Fogo consumia qualquer juízo e eles abandonavam tudo para estar com o outro. Arrisco te dizer que até ele chegou a embaraçar os sentimentos com tanta intensidade e, embora tivesse se afastado com medo de envolver-se com alguém, aceitava e fomentava o apego vindo dela. É egocêntrico, só ama a si mesmo.

Amante da liberdade como um dia ela já foi, agora escrava de si. Seus sentimentos estão mais bagunçados que seu quarto e fica a todo momento se perguntando que merda está acontecendo consigo que não pára de se importar com quem não liga realmente para ela. De manhã, quando parece despertar sua sanidade, repete para si mesmo numa espécie de mantra: "vou dar fim nisso". E a noite lá está ela na cama dele. Ou ele na dela.

Para ela, dormir a dois e na manhã seguinte ir embora só, antes parecia independência, agora solidão. Um relacionamento de tão aberto que se fechava: não podia ligar quando quisesse para não ficar muito na cola, ao andar juntos não podia fazer grandes demonstrações de carinho e, se chamasse para um passeio além do motel, certamente receberia desculpas esfarrapadas como negação. Nela, o ciúmes descabido do que não era seu (e nem podia ser) era crescente. Ele era todo das outras, e ela toda dele.

Mas não desta vez. Hoje, especialmente, ela era só dela. Colocou ordem não só no quarto, como na casa toda. Limpou a mente e o corpo. Deixou ir todas as paranoias. Esgotada de ser segunda opção, se arrumou para si e mais tarde sairia com os amigos para curtir a noite. Permitiu-se chorar por um instante. Eram lágrimas de felicidade por romper com tanto sofrimento desnecessário. Enquanto ouvia suas músicas preferidas refletiu: "não posso mudá-lo, pois foge do meu alcance. Porém, posso e consigo mudar a mim".

E mudou! Não seria outra pessoa a não ser ela mesmo. Compreendeu que se ele realmente gostasse dela, instigaria seus melhores sentimentos, não esses obsessivos e possessivos; se ela realmente gostasse dele o libertaria dessa cilada. E ela gosta. Por isso, dele não guardou rancor. Ele jamais lhe daria o que dependia unicamente dela. Sentia apenas remorso por tê-lo aprisionado tanto tempo.

Determinada a curar o apego e deixá-lo ir de vez, sua única insistência seria buscar a própria felicidade. Meios amores não mais lhe completariam tampouco voltaria a mendigar afeto. O que ela quer é ser livre para viver novas experiências e ser feliz, para tanto, só voltaria a amar e apaixonar-se quando fizesse o mesmo por si. Não o esqueceria de vez simplesmente, tiveram ótimos momentos. Mas, por momento, não estavam prontos para seguirem adiante com aquilo. E se voltariam a se reencontrar? Só cabe ao destino dizer...

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