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A beleza de estar no fundo do poço

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Blog Perspetiva Nova - "A beleza de estar no fundo do poço"

Aqui não tem ninguém por ti, a não ser tu mesmo. Embora tenham te jogado aqui, para sair depende unicamente de você. É compreensível o motivo nos quais alguns acham aqui um lugar horrível de ser alcançado. É sombrio, frio e inóspito. Não há nada além do seu ser. E, às vezes, estar face a face com seu verdadeiro eu pode ser horripilante; ter que aceitar que não é aquilo que almejava e ainda não conseguir lidar contigo em tua essência crua. Enquanto os monstros que criaste se aproximam para mais um assombro, encolhe-te num canto e as indagações começam a fixar-se na mente como ladainha: “Por que eu? Por que só comigo? Por que nunca eu? Por que sempre eu?”.

Crescemos ouvindo que a vida é muito difícil, que obstáculos sempre surgirão e que, no entanto, não deveríamos aceitar facilmente a derrota. “Não desista nunca” são palavras de ordem. E não desistisse! Tentou, lutou, se doou. Até a última gota de sangue do teu corpo. Suportaste as traições, o abandono, a incompreensão e o julgamento daqueles que te cercavam e te juraram lealdade. Colocou a cara a tapa quando preciso. Fez escolhas que julgou cautelosamente serem as mais sensatas não só para ti.

Mas veja só: tudo tem seu momento certo de acontecer, quando não é pra ser nem adianta insistir. Talvez seu otimismo exacerbado tenha realmente colocado uma venda sobre seus olhos e, então, não pudeste ver a maré de má sorte apontando no horizonte. Talvez devesse mesmo benzer, rezar, meditar, usar amuletos e até repassar correntes em redes sociais. Talvez se não tivesse feito aquilo e sim isso... A verdade é que não dá para trabalhar com condições subordinadas relativas ao passado (são meros pretéritos perfeitos). Valoriza as possibilidades futuras porque elas sim podem mudar tua sina.

Os monstros gritam, debocham, riem, choram, agonizam. De todos os tamanhos e formas, nojentos, assustadores e pobres. Mas não te escondas deles, pois são teus monstros; são parte de ti. Encare um a um. Contemple no que te tornaste e não espere bons frutos se não cuidaste de teu pomar. Estas no fundo do poço, sim, minha cara. E permanecerás aqui por mais um tempo até que tuas lágrimas sequem, o coração volte a pulsar, as costas cicatrizem dos punhais e pares de esperar que te salvem de você mesmo.

E como serpente, troque esta pele. Como a Fênix, ressurja. Isso! Olha só para ti agora! Domesticando tuas feras. Artista plástica de teu próprio ser moldando teus defeitos e belezas. Se renovando, aceitando; conferindo um novo sentido à tua realidade.

O fundo do poço pode, no fim das contas, ser um lugar maravilhoso a ser alcançado. Através das dificuldades nos reinventamos e temos a chance de reescrever a nossa história.
Marina Almeida; Natural Vibe

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