Notas deste sábado nublado

Blog Perspectiva Nova - Notas deste sábado nublado

Desconsiderou os sinais que recebera, fingiu que tudo estava nos conformes e foi tocando a vida. Parecia ser mais cômodo não ter que sofrer desgastes manifestando-se diante dos problemas. Deixou que o vento conduzisse a sorte e que os outros tomassem decisões sobre si. Preferiu a quietude do conformismo. “Esse é meu fardo, afinal.”

Foi quando os olhares se cruzaram frente a frente. Primeira vez desde aquele adeus confuso. Faltou-lhe ar, direção e chão. Sentiu um abismo enorme distanciando-lhes, portanto não esboçou um sorriso, nem nada. E tudo que ensaiara frente ao espelho para dizer-lhe parecia estar entalado na garganta. Pensamento a mil por hora congestionando a mente. Não disse nada. Seguiu adiante.

Aqueles míseros segundos viraram horas sendo reproduzidos em sua cabeça em câmera lenta durante o resto da manhã. E, por fim, aceitou que não podia mais adiar as pendências que ignorara tanto tempo. Era momento de depuração, ainda que involuntariamente. Algo que já estava se fazendo necessário há muito.

Engoliu o orgulho, a mágoa, o receio e a soberba junto com todo aquele discurso milimetricamente ensaiado. E pode, então, usar as palavras do coração, pois estas sim eram sinceras e não tinham por objetivo ferir ninguém.

Polidas as arestas, a tarde foi comandada pela felicidade. Teve amor fortalecendo amizades e teve também amizades estabelecendo um amor mais intenso. A noite foi fria, mas sua alma estava aquecida.

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