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Anacronismo crônico

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blog Perspectiva Nova


Quisera os anos que passaram terem magnitude ou possuírem a manha de danificar o mecanismo que mantém seu retrato intacto na minha estante.
Tampouco deletar suas lembranças tatuadas sobre as minhas feridas não cicatrizadas.

Poderíamos continuar uma década sem nos vermos.
Talvez séculos.
De nada importaria.

Troco de caminho para não te encontrar e me perco neste labirinto.
Não tenho pressa de sair, sei quem vou encontrar ao final do túnel.
Rua sem saída.

Mesmo que por metamorfose ou osmose você mude, atrofie, se pinte de outras cores.
Ainda que se fantasie de outra epiderme, mascare seu sorriso, nuble seu olhar. 
Eu ainda saberei de você.
Saberei do que te traz sorriso ao canto da boca, do que seca suas lágrimas e do abraço que te reconforta.

Quisera sua armadura ser impenetrável tal ponto que não se desmanchasse diante de mim tão delicadamente como pétala de flor indo ao encontro do chão no outono.
Quisera meu veneno em forma de palavras poder te cortar como navalha recém afiada.
Quisera suas muralhas poderem deter minha cavalaria.

Você ainda sabe de mim.

Sabe dos sonhos que alimento, das frustrações que escondo e da fúria que me guia por momentos.
Sabe em quantos versos me escrever em poesia, em qual frequência me sintonizar quando saio deste mundo, em como calar até mesmo meu silêncio gritante e como pisar na minha soberba.

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